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21 de Maio de 2019

A inversão da pirâmide demográfica brasileira

Teremos quatro anos para decidir se seremos um país próspero, ou mais uma nação africana!

Paulo Antonio Papini, Advogado
Publicado por Paulo Antonio Papini
há 5 meses

DEDICADO ÀQUELES QUE SÃO DA "RESISTÊNCIA"



Mais uma postagem, e novamente não é sobre política, mas, sim, sobre o país que vivemos. O Brasil é aquele cara com 57 anos de idade, que fez várias besteiras na vida, quase foi parar na sarjeta, não concluiu um curso universitário, e agora, tentando tomar rumo na vida está procurando se acertar. Nesse momento esse sujeito acabou de receber uma indenização trabalhista/herança dos pais da ordem de R$ 500.000,00. É necessário ter prudência para não torrar o dinheiro, pra não fazer merda. As janelas de oportunidade na vida desse carinha estão se fechando. Provavelmente ele não terá outra oportunidade como essa.


Entenderam a analogia?


Sim, meus amigos, estou falando da nossa janela demográfica. Ela deverá começar a apresentar uma inversão entre os anos de 2.020 e 2.025. Noutras palavras: neste momento começaremos a ter mais pessoas com mais de 45 do que com menos de 25. Nosso país está ficando velho, nossa taxa de natalidade vem caindo cada vez mais, inclusive nas classes mais pobres da população.


O problema é que ao invés dos países europeus que já são ricos (para termos uma noção, Portugal que é dos mais pobrinhos da UE tem uma renda per capta de algo em torno de US$ 22.000,00 ao ano; a do Brasil está em torno de US$ 9.900,00) o Brasil ainda não o é; noutras palavras, com o fechamento da janela demográfica correremos o risco de ficarmos velhos e pobres. Simples desse jeito!!!!


Meio que por um milagre parece que o mundo [leia-se: investidores] perdoou as lambanças econômicas dos últimos 8 anos [apesar de antipetista nunca neguei os acertos da gestão Lula, principalmente a primeira, na economia] e parece que voltou a animar-se e querer investir no Brasil.


Parceria com potências mundiais, seja economicamente, seja cultural ou tecnologicamente, como EUA e Israel são fundamentais para esse crescimento. Chega de ficarmos travados por um Mercosul que pouquíssimo, quase nada tem a nos oferecer, basicamente um bando de favelados negociando com outro bando de favelados. Sinceramente, se o Brasil fosse um bairro do mundo, já está na hora de que querermos negociar com o Jardim Paulista/Leblon do que ficarmos insistindo em Artur Alvim/Belford Roxo.


Temos pouquíssimo tempo para fazer isso acontecer. No mais otimista dos cenários até o ano de 2.030, quando o nosso cidadão-Brasil do 1o parágrafo já estará com 69 de idade e, neste momento, meus amigos, não terá mais gente/países com disposição para apostar naquele que já é, oficialmente, um idoso. Diria que os próximos 4 anos serão fundamentais para definirmos se poderemos ser um país próspero ou se seremos o "país mais ocidental da África".


Ok, meu candidato Jair Bolsonaro foi eleito, mas, sinceramente, escreveria o mesmo texto se nosso presidente fosse Haddad ou Cabo Daciolo (glória a Deuxx).


E, sinceramente, para que arranquemos como país - e não viremos África - algumas reformas estruturantes são necessárias:


a) Reforma da Previdência. Sim, meus amigos eu sei que o ideal seria que houvesse também uma reforma na questão da Magistratura/Legislativo, sinceramente, auxílio-moradia, dentre outros, e aumento de 16% aprovado no apagar das luzes do Governo Temer não dá. Parece cruel cobrarmos do trabalhador que ele pague pelos excessos de outros governos. Ocorre que em algum ponto a reforma tem que começar e, não duvidem, quando começar [se começar], em dado momento atingirá também as castas inatingíveis do Judiciário e da Classe Política;


b) Reforma Trabalhista. Não digo acabar com a Justiça do Trabalho, não seria esse - exatamente - o foco. Mas é inaceitável que o Brasil sozinho tenha mais ações trabalhistas que todos os países do mundo somados; de duas uma: ou nossos empregadores são crápulas sugadores de sangue, ou nosso sistema está errado. Em meu modesto entendimento por ser empregador e advogar para empregadores, sei que não somos crápulas, e, sim, nosso sistema está muito errado. Não é possível que uma legislação criada no tempo da máquina Remington ainda se proponha a gerir relações de empregos num mundo em que temos Internet das coisas, AI, carros elétricos, dentre outros. Talvez seja o momento de discutirmos, tal como se deu com o Novo CPC, a criação de uma legislação nova, uma espécie de Código do Trabalho e Código do Processo do Direito do Trabalho;

c) A questão da criminalidade há que ser resolvida e tudo o que disse acima, vale, também, para a área criminal. 60.000 homicídios por ano provam que o que quer que estejamos fazendo, na segurança pública/enfrentamento do crime, está errado. Menos mantras e mais ação. Sem conversinhas moles de superencarceramento, já falei e provo que o Brasil prende, proporcionalmente, menos que a Suécia. Ah, e a questão da criminalidade pode ser resolvida sem que abandonemos o Garantismo;


c.1) Enfrentamento da corrupção: a corrupção é o mais hediondo crime que existe. Ela rouba o futuro e o presente de uma nação. Incute no homem a vergonha da honestidade e da retidão, como dizia Ruy Barbosa, no começo do Século XX; alimenta sentimentos nocivos como ressentimento, inveja, raiva, desesperança. Transforma os brasileiros, de certa forma - naquilo que o jornalista português chamou de "predadores", pessoas que querem o tempo todo tirar vantagem de algo. É fácil entender, apenas entre Petrobrás e BNDES podem ter sido roubados do povo brasileiro R$ 1,7 trilhão de reais. Algo como R$ 9.000 por pessoa viva no país. Considerando que uma família média tem 4 pessoas, estamos falando em R$ 36.000,00; ou seja, recursos com os quais essa família poderia: 1) manter-se por 1 ano; 2) custear uma universidade para um dos filhos; 3) comprar insumos/ferramentas de trabalho, dentre outros.


d) Finalmente, redução dos juros bancários e desregulamentação das atividades. Por que apenas bancos podem emprestar dinheiro a juros, extorsivos, de mais de 500% ao ano. Por que eu não posso pegar o meu dinheiro e emprestar a juros de 50% ao ano, mas o Banco Itaú pode usar o meu dinheiro e emprestá-lo a 500% ao ano, pagando-me menos de 0,7% ao mês. Isso é piada. Melhor dizendo: isso é criminoso. O setor bancário vem - tal e qual um vampiro - sugando as economias do país. Em breve não teremos mais dinheiro para ser roubado.



Pois bem, meus amigos, temos 4 anos, 8 no máximo, para "mudar tudo o que está aí". Esse período de tempo será crucial para decidir nosso futuro como nação. Temos que escolher agora que caminho queremos trilhar: o da prosperidade (?) ou talvez virarmos um gigantesco país africano (?). Caberá a nós, como povo - muito mais até que ao governo - tomarmos essa decisão.

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